Qual a relação entre sistema nervoso autônomo, saúde e doença?

Você conhece a estrutura o sistema nervoso autônomo?

Quer aprender a avaliar seu sistema nervoso simpático e parassimpático?

Se você tem interesse em aprender a testar e identificar as necessidades nutricionais e suplementares pessoais, inscreva-se na nossa lista.

Olá, hoje vamos procurar detalhar um pouco mais este conteúdo que começamos a abordar no post anterior, quando vimos que o processo saúde-doença tem relação direta com o sistema nervoso autônomo.

SNA1No post anterior mencionamos o trabalho de Francis Pottenger (1), e sua seminal obra, Sintomas da Doença Visceral: um estudo do sistema nervoso vegetativo em seu relacionamento com a medicina clínica. Nesse livro, que teve diversas edições entre 1919 até 1944, Pottenger foi um dos pioneiros em descrever as funções do sistema nervoso autônomo, enquanto elaborada rede de nervos que conecta e controla o metabolismo de todos os tecidos, órgãos e glândulas do corpo.

Francis Pottenger bookGrande parte das pessoas saudáveis costuma ter o SNA equilibrado. Por outro lado, apenas um pequeno percentual das pessoas que tem problemas de saúde apresenta o SNA equilibrado. Quando um sistema começa a predominar, as funções do outro ficam prejudicadas.

SNCFonte: http://www.museuescola.ibb.unesp.br/subtopico.php?id=2&pag=2&num=3&sub=23

 

O sistema nervoso simpático (fuga ou luta) responde pela ativação de músculos, contração cardíaca, aumento do batimento e pressão arterial, ativação de órgãos endócrinos, como tiroide e adrenal, e hemisfério cerebral esquerdo. O foco é a ação externa, a necessidade e uso de energia.

SNC2Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAABt_cAJ/sistema-nervoso

 

O sistema nervoso simpático (fuga ou luta) responde pela ativação de músculos, contração cardíaca, aumento do batimento e pressão arterial, ativação de órgãos endócrinos, como tiroide e adrenal, e hemisfério cerebral esquerdo. O foco é a ação externa, a necessidade e uso de energia.

O sistema nervoso parassimpático (descanso e digestão) ativa os órgãos digestivos, como estômago, pâncreas, intestino, fígado, além da pele, relaxamento cardíaco com diminuição do batimento e pressão arterial, redução da atividade endócrina e ativação do hemisfério cerebral direito. Trata-se mais da ação interna. A energia é limitada.

Os problemas de saúde começam quando um lado do sistema nervoso autônomo trabalha mais e restringe as ações do outro lado.

Predominância do simpático

No caso da predominância do simpático, observa-se a ineficiência dos atributos do parassimpático, ou seja uma digestão dificultada, com lento processamento e por isso a acidificação dos nutrientes e resíduos.

2 pred snsA excreção renal passa a não funcionar bem, além da acidez temos membranas celulares mais rígidas. Também ocorre a maior produção de hormônios e neurotransmissores como norepinefrina e adrenalina o que produz reações e reflexos rápidos.

Outra característica da predominância do simpático é que favorece o exercício. Atletas costumam ter o simpático mais ativo. Decorre o aumento do nível de atenção e a redução do apetite e do sono. O simpático predispõe o pensamento linear e simples. A boa disciplina e concentração, mas também irritação, raiva e agressividade.

Assim, essas pessoas são resistentes a alergias, mas predispostas a doenças digestivas, úlcera, colite, problemas de intestino, além de ansiedade e outros problemas.

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Predominância do parassimpático

Por outro lado, com o predomínio do parassimpático acontece o contrário, ou seja, o sistema digestório funciona melhor, os órgãos do simpático como glândulas endócrinas, músculos, coração e hemisfério esquerdo tornam-se ineficientes.

Por exemplo, como as funções endócrinas se restringem, temos menos norepinefrina e adrenalina. Por esse motivo, o aminoácido triptofano produz maiores quantidades dos neurotransmissores acetilcolina e serotonina, relaxantes e calmantes.

4 pred snpEm termos alimentares, como o sistema digestivo trabalha bem, o carboidrato é absorvido rapidamente, a glicose abaixa e predispõe sonolência, cansaço e lá no fim da linha até depressão.

Normalmente, proteína e gordura, por serem capazes de produzir energia celular (ATP) mais lentamente, tem melhor resultado metabólico. Com mais energia na digestão decorre menor acidez, os rins eliminam com facilidade os resíduos ácidos. Órgãos, tecidos e fluidos corporais se mantém alcalinos.

A pessoa com predominância do parassimpático tem dificuldade para fazer exercícios. Precisa dormir mais e pode apresentar malestar matinal.

Essas pessoas tendem a evitar a rotina e o confronto. Sentir raiva é algo incomum. Costumam ter o pensamento expansivo e tridimensional, boa criatividade e imaginação.

Os problemas de saúde mais comuns do parassimpático mais atuante são alergias, asma, bronquite, hipotireoidismo, fadiga crônica e depressão, inclusive a predisposição para obesidade.

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Equilíbrio simpático-parassimpático

No caso do metabolismo equilibrado simpático-parassimpático, a produção de energia é eficiente. Nem rápido demais (simpático) nem lento demais (parassimpático). O metabolismo produz com bom equilíbrio tanto norepinefrina e adrenalina quanto acetilcolina e serotonina.

Tecidos, fluidos e órgãos não são nem ácidos e nem alcalinos, com maior equilíbrio ácido-base. Nesse caso, essas pessoas são resilientes e adaptáveis, sem comportamentos extremos.

6 equil sns e snpÉ isso aí, caro leitor, se você gostou do texto e tem interesse em acompanhar o desenvolvimento deste trabalho e aprender a testar e identificar as necessidades nutricionais e suplementares pessoais, inscreva-se na nossa lista.

Valeu,

Antonio Pitaguari

Referências (sugestões de estudo em ordem cronológica)

1. POTTENGER, Francis Marion (1901-1967). Symptoms of Visceral Disease: A study of the vegetative nervous system in its relationship to clinical medicine. St. Louis, USA: C. V. Mosby Company, 1922. (Diversas edições entre 1919 e 1944).

2. GELLHORN, Ernst (1893-1973). Principles of Autonomic-Somatic Integrations: Physiological basis and psychological and clinical implications. Minneapolis, USA: University of Minnesota Press, 1967.

3. KELLEY, William Donald. One Answer to Cancer: Na ecological approach to the sucessful treatment of malignancy. Texas, USA: The Kelley Foundation, 1974.

4. KELLEY, William Donald. Self Test for the Different Metabolic Types: and metabolic typing, the correct nutrition for your body. The original Metabolic Medicine´s Health Guide. Do-it-yourself book. Litchfield Park, Arizona, USA: College Heath Stores by Kettle Moraine Publishing, 2013.

5. GONZALEZ, Nicholas. Nutrition and the Autonomic Nervous System: The scientific foundations of the Gonzalez protocol. New York, USA: New Spring Press (Kindle Edition), 2017.