Tradução livre de Alan Watts

“Se você despertar dessa ilusão e entender que preto implica branco, eu implica outro, vida implica morte, ou devo dizer, morte implica vida, aí você pode sentir a si mesmo.

“Não como um estranho no mundo, não como alguém em provação, não como alguém que está aqui por acaso, mas você pode começar a sentir a própria existência como absolutamente fundamental.

“Não estou tentando te convencer dessa ideia no sentido de te converter a ela; mas quero que você brinque com isso. Quero que você pense em suas possibilidades. Não estou tentando te provar nada, estou apenas te apresentando isso como uma possibilidade de vida para se pensar.

“Então, vamos supor que você pudesse sonhar todas as noites qualquer sonho que quisesse, e que pudesse, por exemplo, ter o poder de sonhar 75 anos ou qualquer período de tempo que quisesse em uma apenas uma noite. Você, naturalmente, ao começar essa aventura de sonhos, iria poder cumprir todos os seus desejos. Você teria todo tipo de prazer que pudesse conceber.

“Depois de várias noites, de 75 anos de prazer total em cada experiência, você diria ‘Bem, isso foi muito bom. Mas agora vamos ter uma surpresa. Vamos ter um sonho no qual você não está mais com o controle. Algo vai acontecer que você não sabe o que vai ser. Seria cada vez mais impactante, e você faria apostas cada vez mais profundas quanto ao que poderia sonhar.

“Finalmente, você sonharia exatamente onde está hoje. Você sonharia o sonho de viver a vida que está realmente vivendo hoje. Isso estaria dentro da infinita multiplicidade de escolhas que você teria. De brincar que você não era Deus. Porque toda a natureza da divindade, de acordo com essa ideia, é brincar de que não é.

“Então, nessa ideia, todo mundo é fundamentalmente a realidade última. Não Deus em um sentido politicamente real, mas Deus no sentido de ser o eu, o básico profundo de tudo o que existe. E você é tudo isso, está apenas fingindo que não é”.