Introdução

Hoje trazemos a terceira parte desta série de apresentação do histórico de como surgiu o protocolo de identificação dos tipos metabólicos. Você vai conhecer John Beard que trabalhou na influência das enzimas pancreáticas para o equilíbrio do sistema nervoso.

john beard pngNas partes 1 e 2, vimos respectivamente os trabalhos de William Kelley e de Nicholas Gonzalez.  Caso ainda não tenha lido, vale voltar lá antes deste aqui.

Neste texto, tínhamos pensado em falar resumidamente de três personalidades, mas como ia ficar um pouco longo, então resolvi fazer três textos separados. Vamos apresentar estes três autores que também servem de sustentação do protocolo que ajuda na identificação da individualidade bioquímica e que permite atender individualmente as necessidades nutricionais e suplementares de cada pessoa interessada.

William Kelley

William KelleyPara começar é importante enfatizar a genialidade do Kelley, um dentista que praticamente desenvolveu o protocolo com base na experiência pessoal e clínica, em princípio tratando o próprio câncer de pâncreas e depois os de alguns pacientes que lhe permitiram entender ver que cada pessoa é diferente e precisa de um tratamento personalizado. Depois de já ter a estrutura do protocolo, Kelley resolveu estudar o que existia na literatura que o pudesse ajudar a refinar esse protocolo.

Imagem tipos metabólicosNicholas Gonzalez

Nesse ínterim, Kelley abriu seus arquivos para o Gonzalez, sob a tutela de Robert Good, confiando em um possível compartilhamento e aplicação dessa técnica revolucionária.

Kelley and GonzalezEm suma, os dois, Kelley e Gonzalez, estudaram intensamente a literatura a fim de buscar trabalhos que os ajudassem a elucidar a relação do sistema nervoso com a doença. As contribuições de outros três autores foram decisivas nesse processo de qualificação e precisam ser mencionadas:

Hoje vamos conhecer John Beard. Nos próximos vídeos vamos apresentar Francis Pottenger e Ernst Gellhorn. Ainda tem um quarto autor, muito citado pelo Gonzalez que é o Weston Price, a ser apresentado oportunamente.

Os autoresJohn Beard

John Beard (1858-1924), trabalhou na influência das enzimas pancreáticas para o equilíbrio do sistema nervoso. Em um artigo de 1902, na famosa revista Lancet, Beard, professor e pesquisador da Universidade de Edimburgo, propôs que a enzima pancreática representava uma das principais defesa do corpo para combater as doenças.

john beard pngAo estudar a multiplicação celular que ocorre na placenta dos mamíferos em sua fase inicial, também chamada trofoblasto, analisou a conexão entre o embrião em crescimento e o útero materno.

Imagem John BeardAnalogia trofoblasto (placenta) e câncer

Então ele percebeu que o processo fisiológico do câncer imita o crescimento da placenta. Por exemplo, o trofoblasto e o câncer compartilham cinco características:

1. São primitivos e indiferenciados.

2. Proliferam de forma rápida e descontrolada.

3. Penetram outros tecidos.

4. Constroem os próprios suprimentos de sangue.

5. Exercem proteção imunológica.

No entanto, durante o crescimento da placenta, o trofoblasto difere do câncer quando, em determinado momento, muda seu caráter, tornando-se mais diferenciado e não agressivo, estabilizando o crescimento da placenta.No desenvolvimento humano, isso ocorre por volta da sétima ou oitava semana de gestação com a secreção inicial de enzimas pancreáticas pelo embrião.

Assim, Beard concluiu que as enzimas pancreáticas ao mesmo tempo que regulam o desenvolvimento da placenta e do trofoblasto, e desde que o trofoblasto e o cancer são essencialmente idênticos, essas enzimas podiam representar a principal defesa do corpo contra o câncer.

john beard livro

Além de diversos artigos, em 1911, Beard publicou o livro The Enzyme Treatment of Cancer and Its Scientific Basis (em português: O tratamento do câncer com enzimas e sua base científica).

Beard foi um passo além, quando propôs que o câncer realmente só poderia se desenvolver a partir de trofoblastos residuais ou células que permanecem dispersas em vários tecidos, como mantenedores do crescimento embrionário precoce.

Normalmente, tais células permanecem silenciosas e discretas, a menos que estimuladas a proliferar devido inflamação e infecção crônica, exposição contínua a elementos tóxicos, em paralelo a contínua deficiência de enzimas pancreáticas. O que vem se comprovando cada vez mais com a importância do estilo de vida para a saúde.

Beard foi reconhecido por esse trabalho e indicado ao Prêmio Nobel em 1905.

Muitos pesquisadores chegaram a empregar enzimas pancreáticas injetáveis ​​no tratamento de câncer, muitas vezes com bons resultados ​​que podem ser encontrados na literatura científica. O grande problema era dosagem e qualidade das enzimas. Mas como se pode estimar, diversos fatores extemporâneos impediram a consolidação deste trabalho.

É isso aí pessoal, no próximo texto vamos te apresentar o Francis Pottenger.

Valeu…

Referências (sugestões de estudo em ordem cronológica)

1. POTTENGER, Francis Marion (1901-1967). Symptoms of Visceral Disease: A study of the vegetative nervous system in its relationship to clinical medicine. St. Louis, USA: C. V. Mosby Company, 1922. (Diversas edições entre 1919 e 1944).

2. GELLHORN, Ernst (1893-1973). Principles of Autonomic-Somatic Integrations: Physiological basis and psychological and clinical implications. Minneapolis, USA: University of Minnesota Press, 1967.

3. KELLEY, William Donald. One Answer to Cancer: Ecological approach to the sucessful treatment of malignancy. Texas, USA: The Kelley Foundation, 1974.

4. KELLEY, William Donald. Self Test for the Different Metabolic Types: and metabolic typing, the correct nutrition for your body. The original Metabolic Medicine´s Health Guide. Do-it-yourself book. Litchfield Park, Arizona, USA: College Heath Stores by Kettle Moraine Publishing, 2013.

5. GONZALEZ, Nicholas. Nutrition and the Autonomic Nervous System: The scientific foundations of the Gonzalez protocol. New York, USA: New Spring Press (Kindle Edition), 2017.