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“Você nunca saberá o que é suficiente a menos que saiba o que é mais que suficiente”
William Blake


Comer para viver

A diferença entre remédio e veneno é a dose.

O alimento que você come pode ser o medicamento mais poderoso e seguro ou o veneno em sua forma mais lenta e sutil.

Uma dieta simples e eficiente permite viver e trabalhar com equilíbrio e saúde, mais tempo ativo com lucidez, bem-estar e um mínimo de interrupções.

Quanto melhor se come, mais tempo temos disponível e com qualidade.

Um modo eficiente de avaliar a qualidade de nossa alimentação é verificar como nos sentimos depois de comer.

Comer e beber, por exemplo, pode nos tornar mais alegres no início. O problema aparece mais tarde ou talvez no dia seguinte.

Refeições devem ser agradáveis, não apenas quando se come, mas principalmente depois de comer.

A melhor refeição é aquela que você não percebe a digestão.

Moderação, cuidado, conhecer o corpo ajudam o indivíduo, tanto pessoal quanto profissionalmente.

A proposta não é a de se tornar um asceta; que você deve comer a mesma coisa todos os dias, insossa e sem sabor, que você não deve se deliciar, ou que a comida não deve permitir algum nível de prazer e diversão.

Comer bem é viver bem. Viver bem é comer bem.

O importante é comer para viver.

Viver para comer é claramente um problema.

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Nutrição consciente: comer com moderação

Como se vê, a temperança talvez seja a virtude mais essencial.

Falar de virtude faz lembrar do primado da coragem e de suas polaridades: por um lado, seu excesso, a imprudência; de outro lado, sua deficiência ou antítese, a covardia.

A solução sempre é o discernimento, o caminho do meio, e em termos de nutrição a quantidade adequada.

É disso que se trata temperança ou moderação: nada em excesso.

A justa proporção.

O excesso do melhor alimento é veneno. O excesso sobrecarrega e distorce o paladar.

Por outro lado, o corpo pode tolerar bem um pouco de alimento industrializado, de açúcar e farinha, que tanto condenamos, mas que não geram problemas do mesmo modo em todas as pessoas.

Existem centenários que fumam, fazem uso de bebidas alcoólicas e comem pão regularmente. Provavelmente por respeitarem as quantidades adequadas para eles.

Com o corpo intoxicado, ficamos mais sensíveis e suscetíveis a tais alimentos. Com o tempo e recuperação, em geral, o corpo readquire a capacidade de suportar pequenas quantidades desse tipo de comida artificial.

Vale chamar atenção de que comer algo não saudável, pensando que vai fazer bem é melhor do que comer alimento saudável preocupado que possa não fazer bem.

Ceder ao consumo excessivo impede a capacidade de valorização nutricional trazendo como resultado o desequilíbrio. Além de impedir a habilidade de apreciar verdadeiramente a alimentação.

Moderação, com a abstenção da indolência e de esforços excessivos, é a base do equilíbrio e do comer de verdade.

Em síntese, uma nutrição consciente significa trilhar o caminho do meio, o respeito à dose adequada e que, em geral, é bem menos do que se pensa e pratica.