Você sabia que ficar sentado pode trazer graves problemas a sua saúde?

Ficar sentado aumenta o risco para doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e disfunções osteomusculares

Anália R. Lopes

 

Hoje é costume realizarmos muitas das atividades rotineiras sentados, há cadeiras em quase todos locais que frequentamos. Porém, nem sempre foi assim, leia esse artigo e saiba mais. Às vezes, o comum e usual não são o melhor e o mais saudável. Segundo Krishnamurti, “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente” 1.

A História da Cadeira

A cadeira foi inventada pelos egípcios, antes da Era Cristã, era revestida em ouro e marfim, verdadeira obra de arte que representava o poder dos soberanos, os únicos que tinham direito a esse recurso, representando seu trono. O status de poder e realeza se manteve na Idade Média, quando apenas a nobreza possuía esse luxo2. Utensílio especial destinado às autoridades como observa-se na origem das palavras catedral, que é a igreja onde um bispo tem assento, e catedrático, professor que, dentro da universidade, tem um assento de alto valor de conhecimento3.

Acompanhando a mudança no modo de trabalho, da zona rural à cidade, da agricultura e artesanato ao trabalho moderno e industrial, a cadeira se popularizou, ganhou funcionalidade e referência de conforto, principalmente para trabalhadores em linha de produção que não podiam errar e tinham tempo específico para cada atividade. O trabalho em pé era mais extenuante e cansativo, o que gerava erros e gasto de tempo. Assim, grande parte dos trabalhadores passaram para a postura sentada. A Revolução Industrial não só modificou o modo de trabalho, mas ao passar à produção em série, popularizou o acesso a cadeira, contribuindo para grandes mudanças culturais e comportamentais no modo de vida da humanidade2.

A Postura Sentada

Hoje é indiscutível a postura sentada nos postos de trabalho. Não só temos trabalhos que exigem menos esforço físico4, mas também tempo de lazer e hábitos culturais mais sedentários. Há relatos de pesquisas avaliando a postura sentada deste a década de 605.

Quando o indivíduo permanece sentado ocorre um aumento na pressão dos discos intervertebrais lombares (estruturas que ficam entre as vértebras, pequenos ossos que formam a coluna) em comparação com a postura em pé, a qual permite uma distribuição do peso para os membros inferiores5,6. Esta condição mantida ao longo dos anos pode levar ao desenvolvimento de hérnia de disco e processos degenerativos.

Ainda na década de 80 chamou-se atenção para o predomínio da postura sentada principalmente no trabalho, relatando-se que o homo sapiens seria agora uma nova raça o homo sedens7.

Trazendo o tema para o momento presente, quanto tempo você fica sentado durante o dia? Aqui vai um auxílio para sua conta: considere o tempo no trabalho, some o tempo que gasta no transporte indo e voltando do trabalho, seja no carro ou no ônibus, além de outros compromissos diários. Some também o tempo das refeições, almoço, jantar, lanche da tarde, … não se esqueça do tempo em casa, no sofá assistindo TV, no computador ou celular verificando as redes sociais.

Somou? Saiba que mais de 4 horas sentado durante o dia, há maior chance de ter doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, doenças osteomusculares e menor expectativa de vida, mesmo se você pratica atividade física regularmente8,9,10.

Em pesquisa com 63.048 australianos, os participantes que relataram ficar mais de quatro horas sentados durante o dia foram significativamente mais propensos a relatar ter alguma doença crônica, quando comparados com os que permaneciam menos de quatro horas/dia sentados8.

Van der Ploeg et al.9 realizaram um estudo prospectivo com 222.487 adultos, e concluíram que ficar sentado por tempo prolongado é um fator de risco para todas as causas de mortalidade, independente da prática de atividade física.

Um estudo realizado nos Estados Unidos, os autores demonstram um aumento de 2 anos na expectativa de vida quando se reduz o excesso de tempo sentado para menos de 3 horas/dia11.

A postura sentada quando mantida por longos períodos, traz uma sobrecarga estática nos tecidos osteomioarticulares responsável por disfunções e dores. Sabe-se também que esta condição traz encurtamentos musculares, principalmente dos flexores do joelho e quadril e fraqueza dos músculos abdominais12.

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Anália R. Lopes

Graduada em Fisioterapia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Pós-graduação Lato Sensu: UEL, UNIOESTE e UNIAMÉRICA. Especialista em Fisioterapia do Trabalho (Crefito-8). Mestre em Ciências da Reabilitação (UEL). Doutoranda em Saúde Pública (EERP-USP). Professora Universitária. Experiência em Saúde do Trabalhador e Ergonomia. Perita Judicial em Ergonomia e DORT. Contato: analialopes80@gmail.com

Referências

1 – Krishnamurti, J. Filósofo, escritor e educador indiano (1895 a 1986).
2 – ORSELLI, O. T. Conheça a História da Cadeira. Disponível em: <http://www.mundoergonomia. com.br/website/artigo.asp?id=19736>. Acesso em: 30/01/2018.
3 – Michaelis Dicionário Brasileiro da língua portuguesa. Editora Melhoramentos, 2015. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br>. Acesso em: 30/01/2018.
4 – IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Blucher, 2005.
5 – Nachemson, A. The effect of forward leaning on lumbar intradiscal pressure. Acta Orthopaedica Scandinavica, v. 35, p. 314-328, 1965.
6 – Nachemson, A. Towards a better understanding of low-back pain: a review of the mechanics of the lumbar disc. Rheumatology and Rehabilitation, v. 14, n. 3, p. 129-43, 1975.
7 – MANDAL, A. C. The seated man (Homo Sedens). The seated work position. Theory and practice. Applied Ergonomics, v. 12, n. 01, p. 19-26, 1981.
8 – George, E. S.; Rosenkranz, R. R.; Kolt, G. S. Chronic disease and sitting time in middle-aged Australian males: findings from the 45 and Up Study.  International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, v. 10, 2013.
9 – Van der Ploeg, H. P; Chey, T.; Korda, R. J.; Banks, E.; Bauman, A. Sitting time and all-cause mortality risk in 222 497 Australian adults. Archives of internal medicine. v. 172, n. 6, p. 494-500, 2012.
10 – Szczygieł, E. et al. Musculo-skeletal and pulmonary effects of sitting position – a systematic review. Annals of Agricultural and Environmental Medicine, v. 24, n. 1, p. 8–12, 2017.
11 – Katzmarzyk, P. T.; Lee, I-M. Sedentary behaviour and life expectancy in the USA: a cause-deleted life table analysis. BMJ Open, v. 2: e000828, 2012.
12 – O’Sullivan, P. B. et al. Effect of different upright sitting postures on spinal-pelvic curvature and trunk muscle activation in a pain-free population. Spine, v. 31, n. 19, p. E707-12, 2006.

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