O que são os DORT e como prevenir

O que são os DORT e como prevenir

Anália Rosário Lopes
(analialopes80@gmail.com)*

O Ministério da Saúde e Ministério da Previdência Social denominam os desgastes das estruturas do sistema musculoesquelético que atingem os trabalhadores, de lesões por esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) mais frequentemente utilizado como LER/DORT ou simplesmente DORT (BRASIL, 2012).

Esses distúrbios osteomusculares podem acometer músculos, tendões, nervos, articulações, ligamentos e bursas, principalmente de membros superiores (braço, antebraço, punho e mão) e coluna vertebral (cervical, torácica e lombar) (Brasil, 2012; CoutO; Nicoletti; Lech, 2007).

Os DORT são caracterizados por diversos sinais e sintomas de desordens inflamatórias e/ou degenerativas como o aparecimento de dor, parestesia, sensação de peso e fadiga, concomitantemente ou não, e de modo insidioso (Brasil, 2001; Brasil, 2012).

Podem acarretar diferentes graus de incapacidade funcional, temporária ou permanente, ocasionando em redução da produtividade e aumento do absenteísmo, além de afastamentos do trabalho e aposentadorias precoces por invalidez (WALSH et al., 2004). Para a instituição, compromete sua capacidade produtiva, gera despesas expressivas em tratamentos médicos, fisioterapêuticos, psicológicos, treinamento de substitutos e processos indenizatórios (SILVA et al., 2014; WALSH et al., 2004).

Observa-se uma mudança da motivação mórbida dos afastamentos assegurados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de causalidade infecto/traumáticos para os acometimentos crônicos. Os dados de 2000 a 2011 no Brasil mostram que doenças motivadas por fatores de riscos ergonômicos e mentais superam os traumáticos, e que foram gastos quase 16 bilhões de reais em benefícios previdenciários e acidentários (auxílio doença e aposentadoria por invalidez) (BRASIL, 2014).

Etiologia dos distúrbios osteomusculares

A etiologia dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho na posição sentada por tempo prolongado e com uso frequente do computador, é multifatorial, tendo vários fatores de risco envolvidos. Então, como prevenir e manter a saúde no trabalho? Segue abaixo algumas recomendações:

1 – Ajuste seu posto de trabalho: aplique as orientações ergonômicas recomendas na figura 1.

2 – Pausas: atividades repetitivas requerem pausas de 5 a 10 minutos por hora, a fim de relaxar a musculatura solicitada na tarefa. Aproveite também para relaxar a visão, direcionando o olhar para focos distantes.

3 – Levante-se: aproveite as pausas e levante-se, isso proporcionará redução da pressão na coluna lombar e estímulo a circulação sanguínea. Também pense em algumas tarefas que podem ser realizadas em pé, exemplo: atender o telefone, breves reuniões, … e no período do cafezinho.

4 – Exercícios: pratique atividade física por no mínimo 150 minutos por semana. Importante fortalecer a musculatura do abdome. Durante as pausas no trabalho crie o hábito de realizar alongamentos e relaxamentos.

Figura 1: Ajustes ergonômicos no posto de trabalho informatizado.

Referências

BRASIL. 1º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade: Dia Mundial em Homenagem às Vítimas de Acidente do Trabalho. Brasília-DF. 2014. Disponível em: <http://www.previdencia.gov.br/wp-content/uploads/2014/04/I-Boletim -Quadrimestral-de-Benef%C3%ADcios-por-Incapacidade1.pdf>.

Brasil. Ministério da Saúde. Dor relacionada ao trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER), distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

Brasil. Ministério da Saúde. Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Brasília: Ministério da Saúde, 2001.

Couto, h. a.; Nicoletti, s. j.; Lech, o. Gerenciando a LER e os DORT nos tempos atuais. Belo Horizonte: ERGO, 2007.

SILVA, E. P.; et al. Prevalência de sintomas osteomusculares em operadores de máquina de colheita florestal. Revista Árvore, v. 38, n. 4, p. 739-745, 2014.

WALSH, I. A. P.; et al. Capacidade para o trabalho em indivíduos com lesões músculo-esqueléticas crônicas. Revista de Saúde Pública, v. 38, n. 2, p. 149-156, 2004.

 

* Anália R. Lopes. Fisioterapeuta (UEL – Universidade Estadual de Londrina). Especialista em Fisioterapia do Trabalho (ABRAFIT – Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho). Perita Judicial em Ergonomia e DORT (IEDUV – Centro Educacional Veronesi). Pós-graduação Lato Sensu: UEL, UNIOESTE, UNIAMÉRICA. Mestre em Ciências da Reabilitação (UEL). Doutora em Ciências (EERP-USP). Professora Universitária. Consultora em Ergonomia e Saúde do Trabalhador.

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