O que é saúde?

Mas o que é mesmo saúde?

Será mesmo que a saúde é pré-requisito de uma vida útil e produtiva, além de requisito de harmonia e felicidade?

Pode existir um estado permanente de saúde e de energia vital estável?

Mas não é verdade que todos têm problemas de saúde de quando em vez?

De que modo podemos compreender saúde?

Já falamos sobre definição de saúde em postagem anterior, mas agora queremos revisar esse conteúdo…

Etimologia

O estudo da etimologia do conceito de saúde é importante para abrir a questão.

Na história da linguagem, na principal fonte das línguas hoje empregadas na Terra, o chamado idioma indo-europeu, saúde = kailo (intacto, completo, íntegro, bom presságio).

No grego, saúde = hugiés (sadio, completo).

No latim, saúde = salus (não ferido, conservação, intacto, salvação); termos associados: salvus, sanus, sanitas (salvo, são, santo, sagrado).

Interessante observar que no inglês, saúde = hale, healeth (inteiro), health (inteireza, tratado, curado).

Os significantes são distintos (salus e health), porém de origem comum, holos que quer dizer todo, totalidade, unidade.

Saúde reflete a pessoa íntegra, plena.

 

Conceito

Como veremos a ideia de que é fácil definir saúde dificulta a discussão. Se não vejamos…

Para começar, saúde tem tudo a ver com energia, a capacidade de produzir trabalho e de desenvolver o próprio potencial de integridade e plenitude.

Nesse sentido, a compreensão do conceito saúde exige visão de conjunto, ou seja, precisamos consultar diversas fontes.

Por meio dos dicionários, ficamos sabendo que, para alguns, vigora uma visão antiga e “naturalista” que considera saúde como a simples ausência de doenças.

Para compensar essa deficiência, em 1946, a Organização Mundial da Saúde (OMS), ampliou a noção de saúde para o estado de completo bem-estar físico, mental e social.

Tal definição transcende a ótica anterior, mas idealiza e distancia o conceito da realidade. Afinal, esse estado absoluto, algo parecido com samadhi ou nirvana, está longe de ser algo comum ou corriqueiro.

Integrando as duas visões extremas e, como tal, imprecisas, Leon Kass (1981) propôs saúde como o bom funcionamento do organismo como um todo, ou ainda, a atividade do organismo vivo de acordo com suas excelências específicas.

Mais tarde, Lennart Nordenfelt (2001) sugeriu saúde como o estado físico e mental em que é possível alcançar todas as metas vitais, dadas as circunstâncias.

Outra definição é do Escritório Regional Europeu da OMS: A medida em que um indivíduo ou grupo é capaz, por um lado, de realizar aspirações e satisfazer necessidades e, por outro, de lidar com o meio ambiente.

Além das citadas fontes, outras três definições são especialmente relevantes:

  1. Samuel Hahnemann (propositor da Homeopatia): saúde é liberdade das limitações.
  2. Enciclopédia Britânica: saúde é a medida de um indivíduo em manter a habilidade física, emocional, mental e social de lidar com o ambiente.
  3. Dicionário Houaiss: saúde é o estado de equilíbrio dinâmico entre organismo e ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma particular de vida e para a sua fase do ciclo vital.

Compreensão

Considerando-se a abrangência na conceituação de saúde, na qual cada indivíduo tem uma potencial visão de saúde, temos um conceito complexo.

Com essa amplitude de possibilidades e variáveis envolvidas, o conceito de saúde não seria simples de ser tratado cientificamente, pois o conhecimento científico, para ser eficiente, precisa estudar e focar em coisas estáveis.

Enquanto por um lado, inúmeras doenças contam com conceitos e definições bem específicas, por outro lado, saúde é um conceito aberto, relacionados com diversos estados possíveis, anônimos e, sem dúvidas, imensuráveis.

Na verdade, a ideia de saúde estável é imprecisa e mais atrapalha do que ajuda a compreensão do tema.

Não seriam, saúde e doença, complementares, um ajudando a desenvolver o outro?

Considerando-se que a ideia de um estado de bem-estar permanente não pareça viável, então o conceito de saúde precisa incluir a capacidade de lidar, e quando possível, da capacidade de incorporar dificuldades e doenças a fim de superá-las.

Assim, saúde não seria antônimo de doença, mas de omissão e passividade.

Todos somos, ao mesmo tempo, sadios e doentes, um pouco mais, um pouco menos, muitas vezes com vários distúrbios em curso, enquanto condições necessárias e a serem superadas para alcançarmos melhores níveis de autoconsciência e saúde.

O conceito de saúde precisa dar conta da inevitabilidade da morte, da finitude humana, a única certeza que temos na vida.

Vida tem relação contínua com o passageiro, com a mudança, com a transformação até a desativação do corpo físico.

Em síntese, saúde é equilíbrio entre as forças do bem-estar e da doença, da vida e da morte, em termos de um equilíbrio instável, com idas e vindas, longe de ser definitivo, mas impulsionador da pessoa em direção a sua integridade e completude.

Saúde envolve a criatividade para buscar e manter equilíbrio no movimento dinâmico entre estabilidades e instabilidades; coragem para mudar o que não está bom e que, em geral, resulta de estados de tensão, dor ou sofrimento.

Saúde envolve reconhecer que qualquer doença aponta algo que requer atenção e não afastamento, em outras palavras, uma direção a ser seguida. E que, em geral, se encontra além de algum medicamento ou prescrição.

 

Prática

Não podemos controlar o que nos acontece. Pelo contrário, problemas de saúde servem principalmente para nos apontar como melhorar a saúde. Não podemos evitar o que nos acontece, mas podemos controlar pensamentos e reações.

Nossa saúde não depende de sorte ou azar, mas de como aproveitamos as circunstâncias.

Assim, saúde é saber lidar tanto com alegrias quanto com aflições, com bem-estar e sofrimento, assistência e doença, cura e morte, enfim os componentes básicos da vida humana que envolve diretamente as dimensões biológica, psicológica e social.

Sendo energia, saúde não deve ser considerada o objetivo a ser alcançado, mas um prerrequisito básico, útil e funcional, para o dia a dia.

Por exemplo, saúde não é trabalhar pelo dinheiro, como um fim em si mesmo, mas com o foco na liberdade. Não se trata de algo idealizado ou teórico, mas saúde implica em gostar do que se faz.

Em síntese, saúde relaciona-se a:

  1. Manifestar gratidão e alegria pelas oportunidades que a vida nos oferece
  2. Receber com satisfação e serenidade as lições de cada dia.
  3. Desenvolver maturidade e interdependência social.
  4. Identificar e compartilhar seus talentos em uma vida útil em comunidade.

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