O Atual Estado da Medicina

O Atual Estado da Medicina

“O médico do futuro não prescreverá medicamentos, mas motivará o paciente para o consumo de dieta apropriada,
o cuidado do corpo humano e o conhecimento da causa e prevenção da doença”
Thomas Edison

A leitura do livro Disease Dellusion (A ilusão da doença) de Jeffrey Bland (formato Kindle) me fez registar algumas ideias que considero importantes para os leitores deste blog.

O médico Mark Hyman, autor do prefácio, conta a história da pequena Elisa, menina com 4 anos de idade. Sofria de psoríase desde os 6 meses de idade. Mantinha a pele vermelha e inflamada. Elisa foi atendida nas melhores escolas médicas dos EUA. Recebeu as drogas mais modernas incluindo supressores imunes e quimioterapia. Havia estado recentemente em CTI para cuidar de infecção desencadeada por medicação que suprimiu seu frágil sistema imune. Em todo esse processo, a busca da real causa da inflamação não foi questionada, por exemplo, a dieta da menina e o histórico dos antibióticos e outros medicamentos que talvez pudessem ter influenciado as inflamações.

A partir de um conjunto de questionamentos diferentes, e não simplesmente qual medicamento aplicar, Hyman foi em busca da causa da inflamação. Em geral, inflamações são causadas principalmente por micróbios, alergênios, toxinas, dieta imprópria e estresse. Como é possível restabelecer o equilíbrio do sistema imune?

A partir desses princípios, a remoção de uma causa comum da inflamação, o glúten, reconhecidamente relacionada a psoríase, permitiu reequilibrar a flora intestinal, eliminando micróbios ruins de seu intestino resultantes de anos de antibióticos e esteroides a partir de uma possível predisposição herdada dos pais. Também foram prescritos alguns suplementos para melhorar o sistema imune. Por exemplo: ômega 3, zinco, vitamina D e probióticos. Duas semanas foram suficientes para Elisa melhorar.

A recuperação de Elisa não constitui nenhum milagre, mas o possível resultado da aplicação de um sistema de medicina funcional gerido a partir da identificação da real causa da patologia. Mudança de paradigma não é fácil. Encontram-se facilmente na própria área da saúde inúmeras pessoas resistentes e antagônicas a mudanças. Entretanto, este momento é ideal para um novo e moderno mapa de saúde.

Nos séculos passados, as doenças infecciosas foram o grande vilão da humanidade. Hoje, as doenças crônicas correspondem a 80% dos custos de saúde. O aumento das doenças crônicas a despeito do contínuo surgimento de drogas e procedimentos terapêuticos constitui um verdadeiro paradoxo.

A medicina, quando se restringe a tratar de um agente único de doença (micróbio) com um agente único de cura (antibiótico), simplesmente não está funcionando. Não tem lógica a medicina buscar drogas químicas como solução para as doenças.

Em vez de tratar de um sintoma, de uma doença ou de um órgão, fazendo uso de medicamentos que produzem inúmeros efeitos colaterais, a medicina deveria buscar conhecer a causa, sendo, para isso, requisito considerar o sistema e o organismo como um todo. Quando a pessoa realmente melhora, ela não vivencia a cura seletiva ou parcial de um problema, mas uma recuperação completa.

Precisamos aprender a desenvolver uma visão ecológica do corpo que saiba buscar a interseção e interação de todas as redes da Biologia Humana a fim de estabelecer um processo dinâmico de equilíbrio, no caso da saúde, ou de considerar e gerir estados de desequilíbrio, quando em caso de doença.

É importante a inserção e organização de todos os dados em uma narrativa que faça sentido e que possa virar a mesa da crise social de saúde na qual vivemos.

Para Mark Hyman, a ciência medicina é ainda imatura. Não existe uma teoria da medicina. Não foram formulados princípios organizadores para explicar as doenças crônicas.

Faz-se necessário um novo paradigma para a medicina, uma transformação aos moldes de formulada por Cristóvão Colombo quando provou que a Terra é esférica, de Galileu Galilei com não sermos o centro do universo, de Charles Darwin com a teoria da evolução e de Albert Einstein com a relatividade de tempo e espaço.

As doenças precisam ser repensadas. A começar pelo títulos que, em geral, denominam um conjunto de sintomas agrupados em categorias rígidas a serem enfrentadas por meio de medicamentos em vez de sugerir causas ou respostas curativas sob a ótica de um continuum.

Por exemplo, o conceito de demência para identificar e abordar deficiência cognitiva não é adequado. A dicotomia demência / não demência é incapaz de abranger convenientemente toda a possível extensão presente no contexto. A conversão dos dados e variáveis disponíveis, em categorias fixas falha no que se refere a configurar a complexidade da coexistência e interação das doenças mentais no contexto não só do envelhecimento, mas humano de modo geral.

É preciso ampliar a compreensão de deficiência cognitiva, restringida por limites estreitos, para a visão de um crescendo capaz de incluir desde os estágios finais aos iniciais, dos efeitos às causas. Os conceitos existentes são obsoletos, igualmente os de doença vascular cerebral e Alzheimer. Não existe consenso, os próprios critérios de diagnóstico são distintos. Por vezes, quando se identifica uma patologia, muito tempo e oportunidades de remissão são desprezados. É necessário pensar não em limites mas em um contínuo capaz de incluir diferentes domínios, percentuais e causas.

Vejamos o caso da depressão. Não existe depressão em pessoas deprimidas. O uso de antidepressivos é incapaz de resolver a causa do problema, mas apenas consegue mascarar o sintoma. A verdadeira causa varia conforme a pessoa acometida pelo problema. O médico Hyman, aponta nove possíveis exemplos de causas de depressão, aqui relacionados em ordem alfabética:

  1. Alterações na flora intestinal devido uso excessivo de antibióticos.
  2. Alterações na química cerebral devido trauma ou estresse.
  3. Deficiência de ácido fólico devido alteração genética.
  4. Deficiência de ômega 3 devido dieta insuficiente.
  5. Deficiência de vitamina B12, resultante, por exemplo, do uso de longo prazo de antiácido para combate de refluxo.
  6. Deficiência de vitamina D em virtude da falta de sol.
  7. Excesso de açúcar, por exemplo no caso do pré-diabetes.
  8. Intestino permeável resultante da intolerância ao glúten que produz anticorpos contra a tiroide.
  9. Toxicidade de mercúrio devido, por exemplo, ao consumo de atum ou obturação de amálgama.

 

Cada um dos fatores mencionados, tanto relacionados a dieta, quanto ao ambiente ou estilo de vida, pode produzir diferentes desequilíbrios, todos provocando sintomas de depressão, cujo conceito ou termo em si, nada sugere sobre a causa e nem tampouco sobre o tratamento.

A doença em si não é a causa do problema mas o efeito, um feedback fisiológico ou a tentativa de solução de problema. Devemos ver a doença como um modo do corpo humano chamar a atenção para a oportunidade da educação para autonomia em saúde.

 

Obras consultadas

Bland, Jeffrey S.; Disease delusion: conquering the causes of chronic illness for a healthier, longer, and happier life; Amazon Kindle; Harper Collins Publishers; 06.05.2014; 8.142 posições.

Gleckman, Howard; A provocative new way to think about dementia; 29.dez.2014; disponível em: <http://onforb.es/1ww8mMo>; acesso em: 26.09.2015.

Hachinski, Vladimir; Shifts in thinking about dementia; JAMA; Vol. 300; N. 18; November 12, 2008; página 2.172.

Mental Health Foundation; Dementia, rights, and the social model of disability: a new direction for policy and practise?; Policy Discussion Paper; August 2015; disponível em: <http://mentalhealth.org.uk/content/assets/PDF/publications/dementia-rights-policy-discussion.pdf>; acesso em: 27.09.2015.

 

 

 

 

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