Educação para Saúde

“Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa,
dia após dia, e esperar resultados diferentes”.

Albert Einstein

Desafios Atuais

ScreenHunter_25 Apr. 04 20.49Toda educação deve estimular uma saúde sustentável, base para se pensar claro, agir de modo responsável e viver melhor. Parte significativa da população brasileira, atualmente, tem excesso de peso e sofre uma epidemia de doenças crônicas. Nossos jovens não estão recebendo educação eficiente para saúde. Existe alto percentual de probabilidade de adoecerem.

Mesmo reconhecendo os grandes avanços tecnológicos e sociais, ainda muito há a ser feito diante dos desafios enfrentados. Não é difícil enxergar os graves problemas sociais tanto em Educação quanto em Saúde. As orientações, prescrições e tratamentos não previnem, nem tampouco resolvem, as reais causas das doenças. Embora toda a boa vontade e interesse de professores e terapeutas, os interesses econômicos têm prevalecido sobre os sociais. Educadores e profissionais de saúde precisam perceber e levar em conta a individualidade de educandos e pacientes, e não simplesmente seguirem normas e padrões insatisfatórios. Ainda para piorar, não respeitar os tendenciosos protocolos, por vezes, pode significar risco para a carreira do profissional de saúde.

Autonomia em Saúde trata-se de tema complexo de ser definido, mesmo porque abrange questões físicas, emocionais e mentais. Estamos diante do desafio da vida, que tem relação direta com o estilo de vida adotado, seja individual, familiar ou social. Nosso objetivo é estimular a autonomia de professores e alunos dispostos a questionar e promover níveis melhores de saúde.

Paradoxalmente, vale observar, que, muitas vezes, com o início da recuperação a pessoa pode até piorar um pouco, ou seja, com o início da desintoxicação ocorre uma limpeza das toxinas impregnadas no organismo que passam pelo metabolismo para, em seguida poder ocorrer a recuperação. É preciso ter confiança com o que se faz. Por outro lado, a zona de conforto pode manter o problema estagnado.

Muitas vezes a solução pode se encontrar logo depois de se passar a questionar um determinado problema.

Neste post vamos abordar, no contexto da educação, as cinco variáveis para uma saúde sustentável.

Saúde

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Todos temos noção do que é saúde, mas a maioria absoluta não tem um mapa, uma direção para a saúde ótima. Embora os desafios de saúde que hoje enfrentamos, estabelecer um rumo seguro e saudável é viável, mas depende basicamente do nível de autonomia pessoal em saúde, ou a capacidade de o ser humano saber optar pelo que é bom, pelo que gera bem-estar, ou seja, de orientar o desenvolvimento pessoal por si próprio.

Saúde significa ser completo e certamente envolve a boa disposição e bem-estar para as atividades da vida de cada dia. Saúde também é a autorrealização ou a habilidade de buscar e alcançar seus sonhos. Assim, saúde implica em alegria, satisfação e sentido, resultantes de uma vida útil em comunidade.

Modelo de saúde atual

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Precisamos começar revendo o conceito de que doença é como se fosse um bug no organismo que precisa ser identificado e cuja cura depende de uma droga. Nenhuma doença é deficiência de fármaco. Remédios, como o próprio termo diz, apenas remediam ou suprimem os sintomas. Cada vez é maior o descontentamento com o melhor que a medicina pode oferecer. Esse modelo não tem funcionado para as doenças crônicas e degenerativas.

A sociedade acabou por terceirizar sua saúde para quem quer lucrar com ela. Nos tornamos consumidores, dependentes, sem poder ou autonomia. Sofremos forte influência dos órgãos de saúde e de comunicação que deixam as pessoas inseguras: o corpo humano é frágil e precisa ser calibrado com medicamentos. Somos submetidos a mensagens subliminares como: “O médico é a autoridade que sabe o que faz”. “Não faça nada sem falar antes consultar o médico.

“A força natural de cura dentro de cada um de nós é a maior força que nos leva a melhorar”.
Hipócrates

Educação efetiva

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A aprendizagem para ser efetiva precisa levar em consideração a experiência do aluno, precisa ser capaz de identificar conteúdos, crenças e interpretações pessoais, principalmente relacionadas aos assuntos em questão no set educacional. Essa deve ser a base da qual o professor precisa partir para facilitar a aprendizagem de algo novo e melhor. Ignorar o que o aluno sabe, em sala de aula, é levá-lo a desenvolver uma compreensão distinta da pretendida.

A fim de educar com efetividade, eis os requisitos para valorizar e estimular no aprendiz: foco, humor e energia. Em vez de respostas prontas, de tratamento ou medicamento, que em grande parte das vezes é incapaz de resolver o problema definitivamente, precisamos ser capazes tanto de aprender quanto de ensinar a questionar, identificar e remover as causas dos problemas.

Autoridade não é verdade, verdade, sim, é autoridade.

“Qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo para o desenvolvimento pessoal”
Maria Montessori

Estilo de vida saudável

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A vida saudável envolve a autogestão consciente do estilo de vida pessoal, incluindo a identificação da causa dos problemas bem como o gerenciamento das possíveis alternativas de solução.

Em nosso entendimento, a vida saudável abrange cinco áreas interdependentes, mentalidade, nutrição, movimentos, ambiente e comunidade, responsáveis pelo nível de qualidade da vida de cada um de nós.

A seguir, vamos relacionar alguns elementos componentes de cada uma das cinco variáveis.

“Educador já não é aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa,
é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa”
Paulo Freire

 

I. Mentalidade

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O primeiro fator a ser considerado é a mentalidade pessoal. Henry Ford disse uma frase que ajuda a demonstrar a importância da primeira variável do estilo de vida saudável: “Se você pensa que pode, ou se pensa que não pode, você está certo”.

“Se você pensa que pode, ou se pensa que não pode, você está certo”
Henry Ford 

Acontece que, em geral, para alcançar o equilíbrio é necessário superar problemas e dificuldades. Dores e doenças são verdadeiras lições do que não está correto. Assim, bem-estar e vida plena refletem o posicionamento íntimo quanto ao modo pelo qual você leva sua vida. Podemos dizer que depende menos de onde você está do que para onde você está indo.

Uma conhecida autora no tema, Carol Dweck, em seu livro Mindset – A atitude mental para o sucesso, explica dois tipos de atitudes mentais.

A primeira, a mentalidade fixa, quando a inteligência da pessoa é estática, tende a evitar desafios, desistir facilmente, e para quem o esforço é inútil. Costuma ignorar feedback, sentir-se ameaçada com o sucesso de outrem. Enfim, apresenta uma visão determinista do mundo. Um dos maiores obstáculos para a conquista do bem-estar é o pensamento passivo, o pensamento mágico de encontrar solução rápida. A pessoa tenta buscar encontrar fora o que é do âmbito íntimo. Um exemplo comum em saúde é imaginar que um médico e um remédio, ou um tratamento será capaz de resolver seu problema. Qualquer solução definitiva precisa ser alcançada com a identificação e resolução da causa do problema.

A segunda, ideal, a mentalidade de crescimento aponta aquela inteligência que se desenvolve, assume desafios, persiste diante de obstáculos. Vê no esforço o caminho da mestria, aprende com críticas, encontra lições e inspiração no sucesso de outrem. Persiste na busca de níveis superiores de conquistas, ampliando o sentido de vontade. Inspiram-se nos exemplos de pessoas que foram capazes de superar problemas similares. Requisitos para a vivência dos estados de mindfulness e de fluxo.

II. Nutrição

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Segundo Hipócrates, o pai da medicina, a pessoa saudável tem como medicamento o alimento e como alimento o medicamento. Essa máxima permite inferir que toda doença tem relação direta com o processo gastrointestinal. Assim, nutrição é o pilar primário da saúde. O combustível de qualidade ajuda a libertar a mente.

Mas o que seria uma alimentação saudável? Consumo de verduras e frutas com agrotóxicos? Consumo de carne obtida de animais alimentados com ração de milho transgênico e a base de antibióticos? Consumo de produtos processados e industrializados?

As necessidades individuais de macro e de micronutrientes variam conforme inúmeros fatores. Não apenas em termos de calorias, mas dos efeitos metabólicos individuais. Um dos principais indicadores para avaliar a qualidade alimentar, o índice glicêmico derivado de algum elemento não é igual para todos, ou seja, varia para cada pessoa, segundo seu tipo metabólico.

Segundo alguns autores, as três dietas com melhor nível de adaptação à biologia humana seriam: 1. Vegetariana (maior percentual de carboidratos). 2. Mediterrânea (equilíbrio dos macronutrientes). 3. Paleolítica (maior percentual de gordura). As três dietas sugerem eliminar: 1. Açúcar. 2. Farinhas. 3. Óleos vegetais.

Em vez de uma decisão filosófica, cada indivíduo precisa identificar a sua necessidade biológica, conforme seu perfil fisiológico. Uma regra inicial para se estudar a questão da indicação da melhor dieta individual é estudar o sistema nervoso autônomo. O predomínio do sistema nervoso simpático (pessoa mais agitada) pode sugerir a dieta vegetariana, o predomínio do sistema nervoso parassimpático (pessoa mais tranquila) indica a dieta paleolítica. O equilíbrio de simpático e parassimpático orienta a aplicação da dieta mediterrânea.

III. Cuidados com o Corpo e Movimento

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Corpo e consciência limpos preservam a natureza humana. Por outro lado, germes e sujeira se atraem mutuamente. O corpo humano, dadas as devidas condições, tem plena capacidade de regenerar qualquer problema de saúde. É fundamental ensinar as necessidades da boa saúde bucal, o uso regular do fio dental, sendo um excelente exemplo. Além da capacidade de relaxamento, descanso e sono, considerando o necessário refazimento biológico.

A prática da respiração com base diafragmática. A anatomia e fisiologia da respiração mostra que quanto menos necessidade de oxigênio, maior fluxo sanguíneo e capacidade mental. Ocasiona o fortalecimento do abdômen e coluna.

Todos concordam com a importância do exercício físico que incluem práticas de resistência, força e flexibilidade. Também, a prática de exercícios intervalados de alta intensidade (HIIT). Cada qual com suas indicações e benefícios. Entretanto, em vez de obrigação, tais práticas, em primeiro lugar, precisam ser agradáveis. É fundamental exercer as atividades com prazer, em vez de apenas esperar por melhores indicadores futuros de saúde. Por isso, alguns estudos passaram a falar de movimento em vez de exercício. Um grande problema dos educadores físicos é o alto percentual de desistência de quem começa a praticar exercícios. Assim, os movimentos relacionados, por exemplo, com o ato de cuidar de um jardim podem ser suficientes quando se busca alcançar e manter uma saúde sustentável.

IV. Ambiente

Educarparasaude9Muito se discute hoje sobre o fato de vivermos em um mundo no qual o ambiente se encontra bastante comprometido. Desde o ar tóxico provocado por veículos e indústrias, além de alimentos, sejam cultivados ou criados, submetidos a toda sorte de pesticidas, fungicidas, herbicidas até os mais nocivos medicamentos e antibióticos, além de produtos de toda sorte, incluindo higiene pessoal, ambiental e campos eletromagnéticos tóxicos e mesmo cancerígenos.

Grande parte dos produtos que entramos em contato precisa ser considerado e avaliado. O ideal é reduzir a interação com todos esses poluentes ao mínimo possível. Precisamos aprender, e ensinar, que tais elementos alteram e prejudicam a biologia humana. Por exemplo: cloro; flúor; sulfato de sódio; dióxido de titânio; nitrosaminas; lanolina; dioxina; sacarina; formaldeído; chumbo; alumínio, mercúrio, entre muitos outros. Presentes na água, sabão, shampoo, pasta e obturações dentais, desodorantes, talco, fragrâncias, protetores solares, maquiagens… (a lista é interminável).

V. Comunidade

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O homem nasce em estado de total dependência para desenvolver gradualmente sua autonomia. Mas, nenhum homem é uma ilha. Não se trata exatamente de processo de unidade ou independência, mas de comunidade ou interdependência. A educação deve estimular a responsabilidade pessoal do aprendiz ser quem ele realmente é.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra;
(…) a morte de qualquer homem
diminui-me, porque sou parte do gênero humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”

John Donne.

Educação em saúde é estimular o aprendiz a reconhecer seu potencial de saber, poder e querer ajudar a desenvolver uma cultura sustentável. O estímulo e valorização do exemplo pessoal é o melhor fator capaz de provocar mudança.

“Comunidade é o guru do futuro”
Ticht Nhat Hahn

 E aí? Vamos nessa?

 “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”
J. Krishnamurti

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