Aditivos Alimentares: Usar ou não usar?

Hoje vamos falar sobre aditivos alimentares. Para começar vamos considerar os problemas de saúde mais comuns.

Principais causas das doenças crônicas

Para começar, precisamos rever que as duas principais causas dos problemas crônicos de saúde são intoxicação e deficiência.

Além de estar atento para deficiências nutricionais, quando se trata de saúde, a chave para uma vida saudável é a minimização das fontes de toxicidade, ou seja, a qualidade do ar, da água e da comida.

1. Ar

O ar que você respira onde vive e trabalha.

2. Água

A água que você bebe. Outro dia, verifiquei que 70% dos alunos universitários de uma turma que eu estava trabalhando não tinha consciência dos malefícios de ingerir água da torneira, com flúor e cloro.

3. Comida

E tão importante quanto ar e água, é o grau de pureza do alimento que você consome.

Requisitos para o emprego de aditivos

Na vida moderna tornou-se indispensável o uso de aditivos para conservar e estender a vida útil dos produtos alimentícios. Os aditivos buscam melhorar aparência, sabor, textura, cor, e até mesmo a qualidade sensorial e nutritiva a fim de facilitar o consumo dos produtos alimentares.

Assim, aditivo é toda substância adicionada aos alimentos processados, que não tem o propósito de nutrir, mas que modifica as características físicas, químicas, biológicas ou mesmo sensoriais durante a fabricação, preparação, embalagem, armazenagem e transporte dos alimentos.

Regulamentação dos aditivos

O uso de aditivos alimentares é uma área regulamentada por órgãos internacionais como a FAO, organização da ONU para Alimentação e Agricultura, da OMS, como o Comitê Internacional de Especialistas em Aditivos (JECFA), além de órgãos nacionais como o FDA nos Estados Unidos e da Anvisa no Brasil.

Grupos de aditivos

Dependendo da fonte consultada, existem diversos grupos de aditivos. Quatro são os mais comumente mencionados: estabilizantes, espessantes, emulsificantes e antiumectantes.

Entretanto, na obra didática Nutrição Contemporânea, encontram-se 16 tipos de aditivos.

Vale considerar que açúcar, sal, xarope de milho (high fructose corn syrup) e ácido cítrico representam 98% de todos os aditivos (com base em peso) usados no processamento de alimentos.

Ingestão diária máxima ou aceitável (IDA)

As quantidades para serem consideradas seguras tem base em estudos com animais quando buscam observar qual a dose máxima de determinado aditivo não resulta em efeitos negativos observáveis. Então, divide-se por 100 para estabelecer a margem de segurança. Desse modo, são formulados os valores de ingestão diária máxima ou aceitável (IDA).

Ingestão Diária Aceitável. Valor extrapolado para o homem = IDA. NOEL. IDA = Fator de segurança. O valor numérico extrapolado para o homem é denominado Ingestão Diária Aceitável – IDA. Os aditivos alimentares devem ser utilizados em concentrações tais que a quantidade total ingerida pela população, por meio do consumo dos alimentos para os quais estão autorizados, não supere o valor de sua IDA.

Histórico dos aditivos

A fim de termos uma visão de conjunto, vale conhecer um pouco do histórico dos aditivos. A ampliação do uso de aditivos fez surgir em 1958, nos EUA, a lista GRAS, ou seja, Geralmente Reconhecidos como Seguros (do inglês Generally Recognized as Safe).

Todos os aditivos alimentares usados e considerados seguros naquele momento foram inseridos na lista GRAS, a fim de facilitar o emprego e a legalização desses produtos. A ideia era que os fabricantes não precisavam provar a segurança de substâncias usadas há muito tempo e já reconhecidas como seguras.

A questão é que em 1950, existiam 800 aditivos, na década seguinte de 1960, chegou-se a 3 mil produtos. Hoje, existem mais de 10 mil, sendo que 3 mil nunca foram analisados e mil são desconhecidos pelos órgãos oficiais.

O problema é que a aprovação de novos produtos é complexa e demorada. E como produtos classificados na listagem GRAS são considerados seguros de antemão, eles tem uma rota de aprovação muito mais simples e rápida.

Segundo o Center for Public Integrity, essa lacuna na lei é aproveitada pela indústria para incluir novos ingredientes aproveitando a condição de aditivos da lista GRAS.

Esses dias descobri um excelente livro em inglês, cujo título traduzido é “Engula isso, servindo os segredos mais sombrios da indústria alimentar”. A autora é Joanna Blythman, uma jornalista investigativa da Escócia, com mais de 20 anos de pesquisa e seis livros sobre produção de alimentos.

A leitura desse livro é impactante. A menos que seja alguém de dentro da indústria de alimentos você não tem como saber o que acontece nos bastidores e conhecer a real dimensão do problema.

Simplesmente, não se pode confiar nas informações disponíveis. Para Joanna Blythman, evitar alimentos processados é uma das chaves para a saúde.

Problemas causados pelos aditivos alimentares

Embora o uso de aditivos vise ampliar a vida útil do alimento, torna-lo mais seguro e atrativo, não ocasionar antagonismos orgânicos, além de não retardar a ação de enzimas digestivas, na prática isso é bem difícil.

Vejamos alguns problemas com aditivos alimentares:

1. Alterações endócrinas (disruptores hormonais)

Basicamente são vistos produtos químicos isolados. A pesquisa em toxicologia, em geral, se apoia no velho conceito de Paracelso: “A dose faz o veneno”.

Naquela época a humanidade vivia um outro contexto.

Hoje se sabe que doses baixíssimas de grande número de substâncias podem estar associadas a alterações endócrinas sérias (chamados disruptores hormonais).

2. Efeitos adversos da combinação de aditivos

Por outro lado, avaliação recente feita pelo National Food Institute da Universidade Técnica da Dinamarca mostra que pequenas quantidades de produtos químicos amplificam os efeitos adversos uns dos outros quando combinados.

A pesquisa sobre o uso de aditivos combinados tem sério impacto na avaliação dos aditivos.

É muita gente que utiliza grandes quantidades de alimento processado, que em muitos casos chega até a predominar sobre uma alimentação natural ou de verdade.

3. Rótulos incompreensíveis e manipulados

Um problema é que nem todos os aditivos aparecem nos rótulos. Por exemplo, o rótulo de um determinado alimento aponta o flavorizante x, entretanto sem indicar quais substâncias são componentes desse flavorizante. Muitas vezes estamos consumindo alimentos sem saber.

Outro ponto, não menos importante é apontado por Joanna Blythman. O que ela denomina de a manipulação dos controles regulatórios começa com o rótulo limpo, a substituição de nomes de aditivos por outros mais naturais.Considerando que os consumidores estão mais exigentes e evitam produtos químicos, estão fazendo passando a denominar aditivos químicos com termos mais suaves, sem que os produtos sejam menos agressivos. Por exemplo: concentrado de cenoura, extrato de limão.

4. Riscos em crianças

Os riscos para crianças também são significativos. Por exemplo benzoato de sódio, facilmente encontrado em alimentos utilizados por crianças, especialmente ketchup, compotas, sucos de frutas, queijo ralado e refrigerantes está associado a hiperatividade e problemas comportamentais.

5. Contaminantes

Os aditivos alimentares são classificados em dois tipos:

a) aditivos alimentares intencionais (adicionados diretamente aos alimentos): aditivos são incorporados diretamente aos alimentos pelo fabricante.

b) aditivos alimentares incidentais (adicionados indiretamente, como contaminantes): aditivos que penetram indiretamente nos alimentos, por contaminação ambiental dos ingredientes ou durante o processo de fabricação.

 

Aditivos alimentares: Usar ou não usar

 

A síntese é simples:
alimento processado
não é comida de verdade,
é artificial e tóxico.

Fazer comida em casa é algo muito diferente de comida processada.

No caso dos restaurantes, eles precisam ser estudados caso a caso, pois as vezes a base da alimentação produzida predomina com produto processado artificialmente.

 

Princípio pessoal de precaução (PPP)

A dica final é o princípio pessoal de precaução (PPP): você é a única pessoa que pode cuidar de seu alimento. Não dá para terceirizar, suas necessidades são individualíssimas.

Você ou alguém muito próximo precisa preparar o alimento que você consome a partir de comida de verdade, preferencialmente sem rótulos.

É claro que não dá para ser radical, a gente vive em sociedade e as vezes precisa comer na rua. Mas veja, quanto menos comer fora, melhor na prevenção de problemas de saúde futuros, para você e sua família.

É isso aí pessoal, muita gratidão pela atenção…

 

Indicações de leitura

BLYTHMAN, Joanna. JOANNA BLYTHMAN WRITING.COM. Disponível em: <http://www.joannablythmanwriting.com/>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

CENTER FOR PUBLIC INTEGRITY. Why nobody knows what’s really going into your food. Disponível em: <https://youtu.be/yvvvPTksIJ4>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

ECOWATCH. Even the FDA Doesn’t Know What Chemicals Are in Your Food. Disponível em: <https://www.ecowatch.com/even-the-fda-doesnt-know-what-chemicals-are-in-your-food-1881889677.html>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

FOOD SAFETY NEWS. Breaking news for everyone´s consumption. Disponível em: <http://www.foodsafetynews.com/>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

MERCOLA. Exposé Book Reveals Shocking Secrets of the Processed Food Industry. Disponível em: <https://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2015/05/03/processed-food-industry-shocking-secrets.aspx>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

MERCOLA. Flawed “GRAS” System Lets Novel Chemicals into Food Supply Without FDA Safety Review. Disponível em: <https://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2015/04/29/flawed-gras-system-foodadditives.aspx>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

MERCOLA. Why So Many Additives in Our Food? Disponível em: <https://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2015/10/07/food-additives-gras-loophole.aspx>. Acesso em: 02 Dez, 2017.

WARDLAW, Gordon M.; SMITH, Anne M. Nutrição contemporânea. Tradução: Laís Andrade, Maria Inês Corrêa Nascimento ; revisão técnica: Ana Maria Pandolfo Feoli. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. 768 p. : il. color. ; 28 cm. ISBN 978-85-8055-188-4.

 

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